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segunda-feira, 19 de março de 2012




“Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura… Essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado de pequenos absurdos, essa capacidade de rir à toa. Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza de quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser. Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é, (…) e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança. Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto, esse eterno levantar-se depois de cada queda, essa busca de equilíbrio no fio da navalha, essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.”

— Vinicius de Moraes.

Como faz tempo que eu não posto nada aqui... o blog me faz tanta falta! Que eu reencontre a minha inspiração para que novamente as palavras se desenhem à minha frente.  

domingo, 15 de janeiro de 2012

Foi quando começou a não se importar tanto de sentir tanto medo, que ouviu o convite, ainda tímido, quase sussurro, do próprio coração, esse sabedor do que, de verdade, importa: “volta, com medo e tudo”. Foi. E começou a redescobrir que coragem, na maioria das vezes, é apenas voltar para o próprio coração. É apenas sair do lugar. É apenas seguir. Com medo e tudo.
 
— Ana Jácomo
 
Sério, nunca imaginei que fosse tão complicado assim crescer. Estou cheia (ou pelo menos estava) de dúvidas, e quase explodi esses dias por ficar pensando em mil e um caminhos para o meu futuro. 
Peter Pan, será que ainda dá tempo ir com você?
 
 

sábado, 31 de dezembro de 2011



Happy new year, guys!
Um 2012 de muita paz, sucesso, felicidades e amor!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Seria apenas uma história se não tivesse tocado a alma


Olhar para trás após uma longa caminhada pode fazer perder a noção da distância que percorremos, mas se nos detivermos em nossa imagem, quando a iniciamos e ao término, certamente nos lembraremos o quanto nos custou chegar até o ponto final, e hoje temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas sabemos mais uns dos outros. E é por esse motivo que dizer adeus se torna complicado! Digamos então que nada se perderá. Pelo menos dentro da gente…
— Guimarães Rosa



 Dizer adeus se torna mesmo tão complicado... Tantos anos com vocês que me acostumar com a ideia de que não mais vou ver esses rotinhos de segunda a sexta vai ser muito, mais muito difícil mesmo. Eu queria poder com palavras descrever o quanto vocês significam para mim, mas como já disse em algumas outras ocasiões, as palavras não são suficientes para mostrar um pouco do carinho, da admiração e do amor que eu sinto por cada um de vocês.

 Foram oito anos... Oito bons anos convivendo juntos. Tanta coisa que a gente viveu junto, crescemos juntos... Tantas lembranças, sorrisos, lágrimas, brigas, resenhas. Tantos momentos que chega a ser difícil apontar alguns como exemplo da nossa jornada, do nosso progresso... São várias as histórias que eu jamais vou tirar da memória, mas uma que me marcou muito (e acho que também marcou alguns de vocês) foi nosso projeto – Projeto Bumerangue – lembram-se? Sério, aquele projeto estressou todo mundo, haha. Foi tanta briga, e o pior por besteira (pra variar né?). O projeto me marcou mesmo porque no dia da apresentação do mesmo, eu fui a primeira a chegar no local  e me deparei com nossos stands destruídos por causa da chuva da noite anterior. Aos poucos todo mundo foi chegando e me recordo como se fosse hoje a expressão no rosto de cada um: “tanto trabalho e agora tudo acabado”. A desolação estava estampada no rosto de cada um de nós. Foi um desastre. Mas acabou resultando numa coisa linda, porque naquele momento nós esquecemos as diferenças, deixamos os desentendimentos de lado, enxugamos as lágrimas e começamos a reorganizar tudo... Todo mundo unido por um bem comum. Não foi o único momento que tivemos assim. A volta da viagem de Ilhéus foi outro momento que eu jamais vou esquecer. Tão lindo todo mundo se declarando, haha. Quem diria que a gente chegaria a esse ponto. São em momentos como esses que nós vemos que por mais que nós briguemos, ameacemos uns aos outros, nós nos reconciliamos e deixamos florescer o melhor que há em nós, deixamos a amizade falar mais alto.

 Sério... Para alguns pode parecer besteira, mas são detalhes da nossa vida cotidiana que fazem a diferença. Desculpem-me pelas perturbações, pelas folhas roubadas, pelas canetas trocadas ou estojos escondidos... Como eu sempre disse, faço essas coisas porque é uma das maneiras que eu encontrei para demonstrar o quanto me importo e amo vocês, meus amores. E mais, tenham a certeza de que levarei sempre comigo alguma coisinha que aprendi com cada um de vocês, por exemplo, levo comigo de:

- Camila: a alegria, a motivação para os reggaes, até um pouco dos pagodes (haha), a mania de ficar no celular, o entusiasmo, a cumplicidade quando o assunto é praticar bullying;

- Gabrielle: a mania de organização, o espírito de liderança, o senso de humor;

- Gleissequelle: a mania de achar que tudo pode ser bullying, as chatices, a mania de ser achar a sabichona e achar que tudo é conspiração;

- Gustavo: compartilhar a arte de ser sonso (a), só Paulo mesmo pra dar corda para essa galera nos acusar de ser sonsos, haha;

- Ingridy: a ingenuidade, as risadas alarmantes, as merdas que tanto me fizeram rir até chorar, mas acima de tudo o sentimento de generosidade, de sempre estar preparada para ajudar as pessoas ao nosso redor;

-Jéssica: a companhia que sempre me fez, a visão realista das coisas e das pessoas, a teimosia e a arte de chantagear haha;

- Kaíque: as brincadeiras bestas, as histórias, o jeito relaxado de levar à vida, sem estresse... simplesmente aproveitando o melhor que a vida nos oferece;

- Layana: a mania linda de abraçar, a ingenuidade (ou descaração kk) de cair em tantas brincadeiras de duplo sentido, as risadas, o jeito meigo de encarar a vida;

- Leonardo: a ironia, o rebuscamento das palavras nas redações ou ainda o sarcasmo ao analisar as coisas/ pessoas;

- Luz Marina: as brincadeiras, as risadas, o jeito de implicar com as pessoas (eu que o diga), por me mostrar que tenho mesmo que procurar uma fonoaudióloga para tratar da minha dicção já que falo “axim” hahaha;

- Rebeca: os sorrisos, a implicância, o jeito dramático de conduzir a vida, os segredos, o fato de me mostrar que realmente não dá certo estudar em grupo, me fazer enxergar que às vezes a gente tem mesmo que perturbar os outros, afinal, só a assim a gente conhece de verdade as pessoas (eu conheço bem minhas amigas, hahaha);

- Renata: as risadas, a mania de cantar ou falar sozinha nos horários de aula, o jeito louco de curtir a vida, a arte de criar os mais loucos e engraçados apelidos;

- Simone: o jeito GaGa de ser, haha. A alegria, a maneira desbocada de levar as coisas;

- Tássia: a criatividade, a cumplicidade em algumas armações, as risadas extravagantes, o jeito doidinho de ser;

- Yuri: as mais loucas e bizarras histórias, o jeito exagerado de inventar, as perturbações.

 Enfim, de uma maneira ou de outra, cada um de vocês deixou uma marca... Seja da mais boba até a mais séria, sempre vai ter um local para vocês aqui no coração. Claro que alguns ocupam um espaço maior do que os outros, fato. Convivi com a maioria durante exatos oito anos, outros por cerca de três ou dois anos... Mas é como se conhecesse vocês a muito mais tempo. São parte da minha história. Daqui a alguns anos vamos lembrar-nos dessa época das nossas vidas, e assim como eu, espero que vocês possam se recordar dos melhores momentos: as mais lindas risadas, as melhores brigas, as viagens incríveis, as resenhas, os reggaes, das lágrimas que rolaram, dos abraços, das mordidas, das pirraças, das palavras... de tudo do que vivemos. E de que ainda vamos viver, porque não vou permitir que alguns de vocês ousem se afastar de mim.

Eu amo vocês. Amo de verdade! E sim, para sempre. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

To sir, with love...

 Por Jamile Mercês

Sempre foi mais fácil para mim escrever do que falar... isso não é novidade tanto para mim quanto para qualquer pessoa que me conheça. No entanto, no momento não encontro as palavras mais adequadas para descrever o quanto eu aprendi com os meus mestres, o quanto são importantes para mim.
Foram três anos convivendo com vocês, de segunda a sexta (e às vezes ainda aos sábados), e eu só tenho a agradecer pela dedicação, pelos conhecimentos, por me ensinarem a crescer. Por muitas vezes desejei não ver a cara de uns, ou ficar o maior tempo possível na aula de outros... coisas assim fazem parte.
Alguns em especial vão ficar para sempre na minha mémoria, serão sempre meus mestres. Meus melhores mestres, porque sempre confiaram em mim e me fizeram acreditar em mim mesma. Devo muito o que sou hoje à cada um de vocês. Obrigada por todos os sorrisos, pelas lágrimas, pelas conversas, pelo apoio... obrigada por serem meus amigos antes de tudo. Vão fazer tanta falta.








domingo, 4 de dezembro de 2011



As 23:59 de Dezembro de 2011, enquanto você espera ansiosamente por 00h00, você vai pensar no quanto 2011 te fez crescer. Vai pensar no quanto você chorou, vai pensar nos seus erros, em amizades que se foram, em brigas, em desentendimentos. Mas também vai lembrar dos sorrisos que 2011 te proporcionou. E quando o relógio anunciar 00h00 você vai pedir para que todas as lágrimas de 2011 se transformem em sorrisos em 2012. E também vai pedir aquela pessoa em 2012. É, 2011 nos fez cair muito, mas foi caindo que aprendemos a levantar, foi chorando que aprendemos a sorrir. Mas também aprendemos a forçar sorrisos. Perdemos pessoas que menos esperávamos perder. Mas 2011 te fez crescer. E agora 2012 vai te obrigar a crescer bem mais, 2012 vai te dar obrigações, e você vai ter que cumprir todas. Novas pessoas vão entrar na sua vida, novas pessoas vão te fazer sorrir, porém haverá algumas que te fará chorar. Você quer que 2012 seja melhor não é? Mas você terá que mudar isso, o mundo não vai girar em torno de você, seus desejos e sonhos não irão se realizar sem que você corra. Portanto, faça o que deveria ter sido feito em 2011, e corra atrás do prejuízo. Fuja das regras, mas não quebre promessas. Se divirta mas não seja vadia. Beba mas não para ficar na moda. Dance, pule, brinque, cante, se divirta mas com moderação. Apenas saiba aproveitar a vida. 

Autoria: http://antesquesejatardedemais.tumblr.com

sábado, 15 de outubro de 2011

Por Jamile Mercês




 Depois de um inverno rigoroso, finalmente havia chegado a hora das flores desabrocharem. Sentada no mesmo lugar de sempre, saboreando como de costume seu café enquanto pensava na próxima palavra que preencheria sua palavra-cruzada, ela observava a tranquila chegada da primavera.

When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

 Durante os meses que antecedera a estação mais florida do ano, ela tinha voltado-se exclusivamente para o trabalho, e nos fins de tarde fazia como agora, sentar no Coffe a umas duas quadras de casa, pedir o café de sempre, às vezes acompanhado de marshmallows ou waffles, e enquanto esperava, tirava a revista de palavras cruzadas da bolsa e metia-se a encaixar as palavras umas nas outras. Mantendo dessa forma a mente sempre ocupada, a fim de que não deixasse vir à tona as lembranças de alguns meses atrás - os melhores meses da sua vida. Até então não compreendera como ela tinha chegado ali sozinha, sentada no Coffe em todos os fins de tarde.

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

 A esse ponto, as palavras cruzadas já estavam quase todas completas, faltava apenas uma. A garota lia e relia as dicas, mas não conseguia adivinhar a palavra. Situação que a deixou nervosa, pois nos últimos meses havia se tornado uma especie de expert quando o assunto era palavras cruzadas. Mas dessa vez, todo seu conhecimento não era válido. "Verbo na língua inglesa; responsável por promover melhoras ou danos, tanto materialmente quanto psicologicamente". 
 "Mas que diabos de palavra" - foi o pensamento da garota. Tinha ficado realmente paranóica em adivinhar a palavra, mas o nervosismo e a ansiedade não estavam ajudando em nada, pelo contrário, apenas atrapalhavam. Já era quase noite, as luzes do parque a frente do Coffe já estavam acesas. Normalmente a essa hora ela já estava em casa. Mas, hoje resolvera voltar para casa só depois de adivinhar a palavra que tanto estava mexendo com ela. 
(...)
 Respirou fundo, tomou mais um gole do café, recostou-se na cadeira enquanto observava o parque à sua frente e sentia o aroma vindo das flores do mesmo parque. Fechou os olhos e deixou a mente falar por si. Inevitavelmente as lembranças que a menina tentou evitar durante esses últimos meses, desabrocharam novamente na sua mente - os passeios pelo parque; os filmes que costumavam assistir; os bons finais de tarde que costumavam passar no Coffe; as risadas; as lágrimas; a última briga em que resultou na quebra de sua bola de cristal com uma miniatura da Torre Eiffel, no momento ela soube que não haveria forma de consertar a sua linda bola de cristal. Foi nesse ponto em que seus pensamentos foram interrompidos. 

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you
 Abriu os olhos e leu novamente as dicas da palavra cruzada. E riu consigo mesma quando notou o quanto a vida é irônica. No meio de seus devaneios havia descoberto a palavra que faltava: consertar. Fix, em inglês. Nesse ponto que notou que havia sempre uma forma de consertar as coisas - da bola de cristal até à vida. Seu relacionamento tinha terminado por uma banalidade. Deu-se conta de que não valia a pena deixar as lembranças para trás, se havia uma possibilidade de consertar tudo, por mais que fosse uma mínima possibilidade.
And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth

 Terminou o café, deixou o valor a ser pago debaixo da xícara. Antes de se levantar, escreveu na palavra-cruzada a última palavra que faltava: Fix. 
 Levantou-se e saiu do Coffe, no entanto não fez o caminho ao qual se acostumara nos últimos meses. Seguiu um novo caminho, àquele que a levaria a uma outra casa - seu verdadeiro lar. Checou o horário, calculou que provavelmente o encontraria chegando em casa a aproximadamente meia hora. Era apenas o que a separava para consertar tudo: meia hora. Com esperança e um pouco de sorte tudo se resolveria. 

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.
 Durante a caminhada, abriu uma outra folha das palavras-cruzadas e sorriu ao preencher a primeira palavra - "Sete letras, sinônimo de eternamente" - Forever.



Well, já faz alguns dias em que escrevi esse texto. Nunca mais tinha escrito nada, e então surgiu mais esse devaneio aí. Acho que de tanto ouvir a música Fix You, do Codlplay na versão Glee, fiquei com a música na cabeça. É uma das minhas músicas preferidas. Acho que daí que surgiu a ideia de realmente tentar consertar as coisas. De uma forma ou de outra, sempre temos novas chances, então... é isso. Never fail to fix your life!

 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

❝E mesmo estando rodeado de pessoas, 
insisto em me sentir sozinho. 
Me falta algo, me falta alguém, me falta você.

                                                                             — Caio Fernando Abreu.

domingo, 2 de outubro de 2011

Hello


I've been alone with you inside my mind
And in my dreams I've kissed your lips a thousand times
I sometimes see you pass outside my door
Hello, is it me you're looking for?

I can see it in your eyes
I can see it in your smile
You're all I've ever wanted, (and) my arms are open wide
'Cause you know just what to say
And you know just what to do
And I want to tell you so much, I love you ...

I long to see the sunlight in your hair
And tell you time and time again how much I care
Sometimes I feel my heart will overflow
Hello, I've just got to let you know
(...)
Hello, is it me you're looking for?
'Cause I wonder where you are
And I wonder what you do
Are you somewhere feeling lonely or is someone loving you?
Tell me how to win your heart
For I haven't got a clue
But let me start by saying ... I love you


 Essa música é tão perfeita que eu não poderia deixar de postar aqui. Na verdade, minha primeira intenção era intercalar essa música com um texto, mas a música por sí só é uma linda história.

domingo, 18 de setembro de 2011







Fácil falar, haha.
Esse simulado acabou com toda a minha criatividade. :\

domingo, 11 de setembro de 2011


É inegável como a verdade pode ser brutal às vezes. Só da pra admirá-la. Geralmente passamos a vida acreditando em nós mesmos. "Eu tô bem", dizemos. "Tá tudo bem." Mas às vezes a verdade pega no pé e não tem santo que faça desgrudar. É aí que percebemos que às vezes ela nem chega a ser uma resposta,mas sim uma pergunta. Mesmo agora, estou aqui pensando até que ponto minha vida é convincente.

Eu sou o mensageiro


Nossa, fazia tempo que eu não postava nada no blog. 
Essa falta de inspiração associada à falta de tempo, acaba comigo. n.n 

domingo, 28 de agosto de 2011


"Se faltar calor, a gente esquenta. 
Se ficar pequeno, a gente aumenta. 
E se não for possível a gente tenta!"

                                                 — Engenheiros do Hawaii 

sábado, 20 de agosto de 2011

Uma história de fadas

  
Caio Fernando Abreu

Era uma vez o País das Fadas. Ninguém sabia direito onde ficava, e muita gente (a maioria) até duvidava que ficasse em algum lugar. Mesmo quem não duvidava (e eram poucos) também não tinha a menor ideia de como fazer para chegar lá. Mas, entre esses poucos, corria a certeza que, se quisesse mesmo chegar lá, você dava um jeito e acabava chegando. Só uma coisa era fundamental (e dificílima): acreditar.

Era uma vez, também, nesse tempo (que nem tempo antigo, era, não; era tempo de agora, que nem o nosso), um homem que acreditava. Um homem comum, que lia jornais, via TV (e sentia medo, que nem a gente), era despedido, ficava duro (que nem a gente), tentava amar, não dava certo (que nem a gente). Em tudo, o homem era assim que nem a gente. Com aquela diferença enorme: era um homem que acreditava. Nada no bolso ou nas mãos, um dia ele resolveu sair em busca do País das Fadas. E saiu. 
Aconteceram milhares de coisas que não tem espaço aqui pra contar. Coisas duras, tristes, perigosas, assustadoras. O homem seguia sempre em frente. Meio de saia-justa, porque tinham dito pra ele (uns amigos najas) que mesmo chegando ao País das Fadas elas podiam simplesmente não gostar dele. E continuar invisíveis (o que era o de menos), ou até fazer maldades horríveis com o pobre. Assustado, inseguro, sozinho, cada vez mais faminto e triste, o homem que acreditava continuava caminhando.

Chorava às vezes, rezava sempre. Pensava em fadas o tempo todo. E sem ninguém saber, em segredo, cada vez mais: acreditava, acreditava.

Um dia, chegou à beira de um rio lamacento e furioso, de nenhuma beleza. Alguma coisa dentro dele disse que do outro lado daquele rio ficava o País das Fadas. Ele acreditou. Procurou inutilmente um barco, não havia: o único jeito era atravessar o ria a nado. Ele não era nenhum atleta (ao contrário), mas atravessou. Chegou à outra margem exausto, mas viu uma estradinha boba e sentiu que era por ali. Também acreditou. E foi caminhando pela estradinha boba, em direção àquilo em que acreditava. Então parou. Tão cansado estava, sentou numa pedra. E era tão bonito lá que pensou em descansar um pouco, coitado. Sem querer, dormiu. 


Quando abriu os olhos - quem estava pousada na pedra ao lado dele? Uma fada, é claro. Uma fadinha mínima assim do tamanho de uma dedo mindinho, com asinhas transparentes e tudo a que as fadinhas têm direito. Muito encabulado, ele quis explicar que não tinha trazido quase nada e foi tirando dos bolsos tudo que lhe restava: farelos de pão, restos de papel, moedinhas. Morto de vergonha, colocou aquela miséria ao lado da fadinha. 
 De repente, uma porção de outras fadinhas e fadinhos (eles também existem) despencaram de todos os lados sobre os pobres presentes do homem que acreditava. Espantado, ele percebeu que todos estavam gostanto muito: riam sem parar, jogavam farelos uns nos outros, rolavam as moedinhas, na maior zona. Ao toquezinho deles, tudo virava ouro. Depois de brincarem um tempão, falaram pra ele que tinham adorado os presentes. E, em troca, iam ensinar um caminho de volta bem fácil. Que podia voltar quando quisesse por aquele caminho de volta (que era também de ida) fácil, seguro, rápido. Além do mais, podia trazer junto outra pessoa: teriam muito prazer em receber alguém de que o homem que acreditava gostasse.

Era comum, que nem a gente. A única diferença é que ele era um Homem Que Acreditava.

De repente, o homem estava num barco que deslizava sob colunas enormes, esculpidas em pedras. Lindas colunas cheias de formas sobre o rio manso como um tapete mágico onde ia o barquinho no qual ele estava. Algumas fadinhas esvoaçavam em volta, brincando. Era tudo tão gostoso que ele dormiu. E acordou no mesmo lugar (o seu quarto) de onde tinha saído um dia. Era de manhã bem cedo. O homem que acreditava abriu todas as janelas para o dia azul brilhante. Respirou fundo, sorriu. Ficou pensando em quem poderia convidar para ir com ele ao País das Fadas. Alguém de que gostasse muito e também acreditasse. Sorriu ainda mais quando, sem esforço, lembrou de uma porção de gente. Esse convite agora está sempre nos olhos dele: quem acredita sabe encontrar. 

Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso dele era lindo quando pensou todas essas coisas - ah, disso eu não tenho a menor dúvida. E você?  


Esse texto do cfa é lindo! Aliás, difícil algum texto dele não ser lindo. 
Mas esse em especial eu ainda não tinha lido, acabei me deparando com o texto por acaso, e inevitavelmente tive que compartilha-lo aqui. É grandinho, mas vale muito a pena ler!


 

sábado, 6 de agosto de 2011

sábado, 2 de julho de 2011



"Eram bonitos juntos. Um doce de olhar.
Como se houvesse entre aqueles dois,
uma estranha e secreta harmonia."

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. De alterar o trajeto para apressar encontros. Medo de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Você tem medo de se apaixonar. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam.
Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo de que ele não precise de você. Medo de que não queira reparti-lo com mais ninguém. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro dos cabelos. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir."

Fabricio Carpinejar
 

sexta-feira, 24 de junho de 2011


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.


                                                             Camões

domingo, 19 de junho de 2011

O que é amor?



Amor é quando você fala para um garoto "que linda camisa você está vestindo" e aí ele a veste todo dia.
- Noelle, 7 anos.

 Amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela.
- Chrissy, 6 anos.

Amor é quando alguém te magoa, e você mesmo muito magoado não grita porque sabe que isso fere seus sentimentos. 
- Samantha, 6 anos.

Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesm depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro.
- Mary Ann, 4 anos.

Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes para ter certeza que está do gosto dele.
- Danny, 6 anos.

Amor foi quando minha avó pegou artrite, e ela não podia se debruçar para pintar as unhas dos dedos do pé. Meu avô desde então, pinta as unhas para ela, mesmo quando ele tem artrite.
- Rebecca, 8 anos.

O amor não é quando o seu amor corre de você no pega-pega, e sim quando ele te da a mão e chama para correr com ele.
- Mary, 6 anos.

 O amor definitivamente é lindo! Não há idade certa para amar, simplesmente, se ama.


sábado, 11 de junho de 2011

Carta do ex para a ex:



Carta do ex para a ex:

Querida, escrevo para dizer que vou te deixar. Fui bom marido por 7 anos. As duas últimas semanas forem um inferno. O seu chefe me chamou para dizer que você tinha pedido demissão e isto foi a gota. Na semana passada, nem notou que não assisti ao futebol. Te levei na churrascaria que mais gosta. Chegou em casa, nem comeu e foi dormir depois da novala. Não diz que me ama. Está me enganando ou não me ama mais.
P.S.: Se quiser me encontrar, desista. A Júlia, aquela sua "melhor amiga" da academia e eu vamos viajar para o nordeste e vamos nos casar! 
Ass: Seu ex-marido.

Resposta: Querido ex-marido, nada me fez mais feliz do que ler sua carta. É verdade, ficamos casados por 7 anos, mas dizer que você foi um bom marido é exagero. Vejo a novela para não lhe ouvir resmungar a toda hora. Reparei que não assistiu futebol, mas com certeza, foi porque seu time tinha perdido e você estava de mau humor. A churrascaria deve ser a preferida da amiga Júlia, pois não como carne há dois anos. Fui dormir porque vi que a cueca estava manchada de batom. Rezei para que a empregada não visse. Mas, com tudo isto, ainda o amava e senti que poderíamos resolver os nossos problemas. Assim, quando descobri que eu tinha ganhado na Loteria, deixei meu emprego e comprei dois bilhetes de avião para o Taiti, mas quando cheguei em casa você já tinha ido. Fazer o quê? Tudo acontece por alguma razão. Espero que você tenha a vida que sempre sonhou. O meu advogado me disse que devido à carta que você escreveu, não terá direito a nada. Portanto, se cuida!
P.S.: Não sei se lhe disse, mas a Júlia, minha "melhor amiga", está grávida do Jorginho, nosso personal. Espero que isto não seja um problema...

Ass: Milionária, gostosa e solteira. 

Nossa, há muito tempo que não apareço aqui no blog.
Sobre o texto, eu não resistir, tive que postar aqui. Eu adorei! hahaha 
xoxo 

sábado, 21 de maio de 2011

Quando você é criança...



Quando você é criança, você dá valor as pequenas coisas por mais simples que elas sejam, pois depois se você as perde, você sabe que deu valor quando ela ainda era sua. Quando você é criança você tem amigos de verdade que sempre estão com você. Quando você é criança, as coisas são mais simples e fáceis e depois que você cresce, você vê que só se arrepende de uma coisa, de ter dito: "Eu quero crescer".

Autoria desconhecida

Saudade da infância, as coisas eram bem mais simples e mais belas mesmo. 
Dura realidade é crescer. Tudo cresce junto: problemas, responsabilidades, sonhos. Bom, faz parte. haha
Gente, eu vou morrer sem minhas séries, saudades delas. Nunca mais fiz um texto que preste. x.x