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sábado, 10 de julho de 2010


Não acho bonito que a gente se disperse assim, só isso. Encontre, desencontre e nada mais, nunca mais, é urbano demais - e eu nasci praticamente no campo, até os 15 anos quase no campo, céu e campo. Não sei se a gente pode continuar amigo. Não sei se em algum momento cheguei a ver você completamente como Outra pessoa, ou, o tempo todo, como Uma Possibilidade de Resolver Minha Carência. Estou tentando ser honesto e limpo. Uma possibilidade que eu precisava devorar ou destruir. Porque até hoje não consegui conquistar essa disciplina, essa macrobiótica dos sentimentos, essa frugalidade das emoções.


(Caio Fernando Abreu)



domingo, 27 de junho de 2010

Eu não quero ir embora e esperar o dia seguinte, porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo, se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.

Tati Bernardi

terça-feira, 1 de junho de 2010

Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada. Já que sou tão imprópria, inadequada, boba. Já que nunca basto e se tento me excedo. Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo. Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável. Meu riso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança. Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice. Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis. Minhas palavras cuidadas incomodam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões sempre se alongam e cansam. Minhas histórias acabem sempre no egocentrismo ou preconceito. Meu sem fim dá logo vontade de encurtar. Minhas construção, desconstrói. Meus soquinhos de frases são jovens demais. Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra. Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego. Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula. Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim. Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar. Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto. Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas? É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário? Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não diz. Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre a vida dele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida. Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse? Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas. Se provoco, eu que provoque sozinha porque ele não é trouxa de cair. Sobre livros, nunca são os que interessam. Sobre minha reportagem, nem quis ler. Meu trabalho nunca foi e nunca será da mulher dos sonhos. Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta. É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba. Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba. Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem só existe ele. Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno. Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca. Sobre prazer toda pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra. E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar. Mas quando termino, ele já não está mais. Se repito, quase explode. Se digo uma, sou boa de ser guardade em algum lugar que nunca vejo. Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca. Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes. Nada. Não vou sussurrar. Nem gemer. Nenhum som. Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ele. Lembrando de quando ele me disse que é no silêncio que se sabe a verdade. E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento. O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir. Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira.

Tati Bernardi

terça-feira, 25 de maio de 2010

Muito além do que se pode entender

  De fato, é aparentemente muito engraçado como as pessoas passam a vida inteira procurando a felicidade. Tentam todos os caminhos, todas as maneiras, todas as vertentes. Tentam de tudo um pouco. Demoram muito e, muitas vezes, nunca descobrem que o caminho pra ser feliz é simplesmente amar.
  Quem descobre isso toma para si a responsabilidade de descobrir o que é o amor. Mas, afinal, como definir o que é amar? Definir o que é o amor é limitar a magnitude do seu sentido. Amar é tentar expressar o soberano, é buscar traduzir nas ações a dimensão e a infinitude que nem as mais rebuscadas palavras conseguem alcançar.
  Amar é ser constante, incansável, incessável, é não pender nem se deixar abalar, é não titubear. É sofrer, é renunciar, é ceder, é negar, é escolher, é pacificar, é não condicionar e acima de tudo saber escutar. Amar é saber traduzir um silêncio cheio de palavras ou um olhar cheio de respostas, é saber que as brigas fazem parte de tudo que um dia se tornou sólido. É demonstrar o que se sente sem medo de uma desilusão. Amar é ser base, alicerce, sustentação, porto seguro, é construir pontes firmes, é derrubar barreiras, é não ter asas e sentir que pode voar.
 É compartilhar sentimentos, angustias, tristezas, alegrias e emoções. Ser amante é ser companheiro, é ser confidente, é ser referência, é ser discreto e compreensivo, é dar a mão pra quem espera rejeição, é ser fiel, é ser leal, é ser confiável, é apresentar seus defeitos e deixar que suas qualidades se sobressaiam, é ser unicamente você, é mostrar o que você é e não o que você gostaria de ser, afinal, é amar é ser sincero. Mas acima de todas as coisas amar é ser AMÁVEL, é se deixar ser amado por quem te rodeia, é descobrir a leveza de uma relação mútua. Ser amável é ser tudo aquilo que você espera das pessoas que te cercam, é buscar ser a cada dia mais apaixonante, é acordar e ter certeza de que a cada manhã se nasce de novo para mudar o que aconteceu no dia anterior, é se reinventar a cada segundo, é se amar e ser completo por si só, pois ninguém deve carregar nas costas a obrigação de completar outra pessoa, mas suplementar o que já existe para que se possa amar por prazer e não por necessidade.
  Ao final de tudo, descobrimos que a complexidade do ato de amar se resume basicamente no ato de sentir. Sentir que o amor existe, amar e se deixar ser amado. Afinal, se amar é o caminho para a felicidade o que torna tão difícil ser feliz a vida inteira?

Rebeca Rodrigues


*Texto escrito por uma amiga minha (Rebeca Rodrigues piriguete haha)! Achei o texto tão lindo, que pedi a ela para postar aqui, porque guardar um texto desse, venhamos e convenhamos, é pecado rs.  

sábado, 22 de maio de 2010



(...) Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível e que esse momento será inesquecível. Só quero que meu sentimento seja valorizado.


Mário Quintana

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Toda mulher é doida.

Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem o amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar "the big one", aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá pra ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir, às vezes, que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha. Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e diga se ela não tem ao menos três destas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira pra ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Há mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

Martha Medeiros

quarta-feira, 28 de abril de 2010


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo,
morto o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sincero, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer.

Esse amanhecer
mais noite que a noite.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 18 de abril de 2010

Sobre Escrever


"Que diabo de profissão tão solitária é escrever! Para fazê-lo, tem de banir o mundo; e, ao bani-lo, sente-se cosmicamente isolada".  


Pára-quedas & Beijos, Erica Jong, p.102

domingo, 4 de abril de 2010


Frágil - você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 19 de março de 2010

Te amo tanto, dorme com os anjos...



"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas.
(...)
Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão frequente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenha tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vez em quando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito em voz baixa 'te amo tanto, dorme com os anjos'. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo."
Caio Fernando Abreu

sábado, 6 de março de 2010

Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje... Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar... Não me doo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Sou pessoa de riso fácil e choro também!

Tati Bernardi  

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade


Drummond é genial! Realmente sofremos não pelos acontecimentos realizados, mas por percebermos que as ilusões que criávamos sobre estes acontecimentos jamais vão se concretizar. Ao ler esse texto de Drummond, senti as palavras entrando dentro de mim e se tornando cada vez mais nítidas, vi meus sentimentos rabiscando meu ser com estas palavras.  

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mesmo quando você não sabe para onde vai, ajuda saber que você não está indo sozinha. Ninguém tem todas as respostas. Às vezes, o melhor que podemos fazer é pedir desculpas, e deixar o passado no passado. Outras vezes, precisamos olhar para o futuro e saber que, mesmo quando achamos que vimos de tudo, a vida ainda pode nos surpreender, e ainda podemos surpreender a nós mesmo.
Gossip Girl ♥

sábado, 23 de janeiro de 2010

"Todos nós achamos que seremos grandes e nos sentimos um pouco roubados quando nossas expectativas não são alcançadas. Mas às vezes as nossas expectativas nos mostram que nos subestimamos. As vezes, o esperado simplesmente perde importância comparado ao inesperado. Você passa a se perguntar porque se apegou a suas expectativas, porque o esperado é o que nos mantém estáveis. Equilibrados. Tranquilos. O esperado é somente o começo, o inesperado é o que muda nossas vidas." 
Grey's Anatomy

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ame

Ame a lembrança que se tem da infância, aqueles mil e um roxos nos joelhos e os primeiros passos de patins. Ame quando você for criança e achar que seu pai é "o homem mais grande desse mundo", mas ame mais quando você descobrir que ele é sim o mais importante. Ame o abraço de um amigo verdadeiro que você descobriu e que juntos vocês conquistaram o mundo apenas sentados de baixo de uma árvore. Ame quando você descobrir que não existe só uma amizade assim, e que no decorrer da vida você descobre que cada pessoa passa por você na fase certa, fazendo ela única naquele momento. Ame um sorriso seu, mas ame mais um sorriso pra você. Ame a primeira flor e bombons que você ganhar, guarde a caixa e suspire inúmeras vezes quando olha-la. Ame aquela ligação de madrugada dos seus amigos berrando e dizendo que amam você. Ame mais ainda aquela outra ligação, no começo da noite pra te desejar um "dorme bem meu amor". Ame o abraço da sua mãe depois de uma longa conversa sobre amores e amigos. Ame aquele domingo em família. Ame todos seus aniversários. Ame as borboletas, mas ame mais quando elas voarem dentro de você e ai sim, ame. Ame e ame demais seu pai e sua mãe em todo o momento. Ame aquelas férias de uma semana a qual você conheceu pessoas eternas. Ame a saudade, mas ame mais ainda a hora de matá-la. Ame crianças, bagunça e cão é claro. Ame e festeje o pôr do sol; mas ame mais ele nascendo. Ame o primeiro amor, e encontre o segundo para amar ainda mais. Ame uma festa até às seis da manhã, mas ame mais o dez que você tirou na prova que vinha na manhã seguinte. Ame sua sorte, seu cabelo e seu perfume. Ame as suas músicas. Ame seus medos. Ame o que passou, o que está acontecendo, e o que está por vir. Apenas ame... E depois de um tempo que você amar e se amar, comece tudo de novo. Mas dessa vez, faça diferente, ensine alguém a amar... VOCÊ!


Autor desconhecido

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Fizeram a gente acreditar...

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

John Lennon

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Porque tão solitária? Branca e luminosa, mágica e charmosa. Porque tão solitária? Diamante da escuridão, valente como nenhuma outra, no meio de tudo, brilhando entre o nada, iluminas com a tua luz, hipnotiza com teu charme. És mística como a noite, e sem ti não há noite. És tão pequena e significas tanto. E tu tão sozinha, rodeada de estrelas que não te dizem nada, pobre lua, que pensarás nas noites. Choras porque aquele astro que em um terrível dia te abandonou, e viaja pelo mundo. A noite começa e vocês não se encontram. Quando é de dia ele não te vê, e quando começa a escurecer, que por fim vais se encontrar com ele, chega tu e ele já tem ido. Assim é o destino, doce e cruel. Pobre lua. Aquele senhor que nos cobre todo o dia não chegou a conhecer tua beleza mística, tua magia encantadora, teu mistério que hipnotiza. Está ocupado com outras coisas, enquanto você o observa dia e noite. Mas não chore mais, minha lua, espero que escutes minhas palavras na sua crosta branca, porque eu sei que chegará o dia em que o sol por fim vai te ver e vai paralisar diante da tua beleza e tua impetuosidade, e a noite vai se alargar porque o sol estará ocupado vendo seu amor incondicional, que sempre esteve sozinha iluminando o mundo. E é de se admirar que com tanta dor, sua luz não tenha deixado de brilhar em nenhum momento, e com cada lágrima que derramas ficas mais charmosa a cada dia.

Dulce Amargo 

domingo, 13 de dezembro de 2009


Não sou boa com números. Com frases feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E sem saber busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir...
Mas não tem nada não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem na verdade a gente é.

Fernanda Mello

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Você tem experiência?


Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: "Você tem experiência?" A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos.
Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia e acima de tudo, por sua alma.

Redação Vencedora:

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei fundo da panela de arroz carreteiro.
Já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em árvores pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr do sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes de emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta da parede e grita: "Qual sua experiência?".
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: 
Experiência... Experiência... Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
"Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"
Sábio é quem estende seu manto como se fosse tapete, e tolo é quem o pisa.


sábado, 21 de novembro de 2009




Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir.
Não sou pretensiosa.
            Escrevo pra mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando,
às vezes chorando.

Clarice Lispector