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sábado, 15 de outubro de 2011

Por Jamile Mercês




 Depois de um inverno rigoroso, finalmente havia chegado a hora das flores desabrocharem. Sentada no mesmo lugar de sempre, saboreando como de costume seu café enquanto pensava na próxima palavra que preencheria sua palavra-cruzada, ela observava a tranquila chegada da primavera.

When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

 Durante os meses que antecedera a estação mais florida do ano, ela tinha voltado-se exclusivamente para o trabalho, e nos fins de tarde fazia como agora, sentar no Coffe a umas duas quadras de casa, pedir o café de sempre, às vezes acompanhado de marshmallows ou waffles, e enquanto esperava, tirava a revista de palavras cruzadas da bolsa e metia-se a encaixar as palavras umas nas outras. Mantendo dessa forma a mente sempre ocupada, a fim de que não deixasse vir à tona as lembranças de alguns meses atrás - os melhores meses da sua vida. Até então não compreendera como ela tinha chegado ali sozinha, sentada no Coffe em todos os fins de tarde.

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

 A esse ponto, as palavras cruzadas já estavam quase todas completas, faltava apenas uma. A garota lia e relia as dicas, mas não conseguia adivinhar a palavra. Situação que a deixou nervosa, pois nos últimos meses havia se tornado uma especie de expert quando o assunto era palavras cruzadas. Mas dessa vez, todo seu conhecimento não era válido. "Verbo na língua inglesa; responsável por promover melhoras ou danos, tanto materialmente quanto psicologicamente". 
 "Mas que diabos de palavra" - foi o pensamento da garota. Tinha ficado realmente paranóica em adivinhar a palavra, mas o nervosismo e a ansiedade não estavam ajudando em nada, pelo contrário, apenas atrapalhavam. Já era quase noite, as luzes do parque a frente do Coffe já estavam acesas. Normalmente a essa hora ela já estava em casa. Mas, hoje resolvera voltar para casa só depois de adivinhar a palavra que tanto estava mexendo com ela. 
(...)
 Respirou fundo, tomou mais um gole do café, recostou-se na cadeira enquanto observava o parque à sua frente e sentia o aroma vindo das flores do mesmo parque. Fechou os olhos e deixou a mente falar por si. Inevitavelmente as lembranças que a menina tentou evitar durante esses últimos meses, desabrocharam novamente na sua mente - os passeios pelo parque; os filmes que costumavam assistir; os bons finais de tarde que costumavam passar no Coffe; as risadas; as lágrimas; a última briga em que resultou na quebra de sua bola de cristal com uma miniatura da Torre Eiffel, no momento ela soube que não haveria forma de consertar a sua linda bola de cristal. Foi nesse ponto em que seus pensamentos foram interrompidos. 

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you
 Abriu os olhos e leu novamente as dicas da palavra cruzada. E riu consigo mesma quando notou o quanto a vida é irônica. No meio de seus devaneios havia descoberto a palavra que faltava: consertar. Fix, em inglês. Nesse ponto que notou que havia sempre uma forma de consertar as coisas - da bola de cristal até à vida. Seu relacionamento tinha terminado por uma banalidade. Deu-se conta de que não valia a pena deixar as lembranças para trás, se havia uma possibilidade de consertar tudo, por mais que fosse uma mínima possibilidade.
And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth

 Terminou o café, deixou o valor a ser pago debaixo da xícara. Antes de se levantar, escreveu na palavra-cruzada a última palavra que faltava: Fix. 
 Levantou-se e saiu do Coffe, no entanto não fez o caminho ao qual se acostumara nos últimos meses. Seguiu um novo caminho, àquele que a levaria a uma outra casa - seu verdadeiro lar. Checou o horário, calculou que provavelmente o encontraria chegando em casa a aproximadamente meia hora. Era apenas o que a separava para consertar tudo: meia hora. Com esperança e um pouco de sorte tudo se resolveria. 

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.
 Durante a caminhada, abriu uma outra folha das palavras-cruzadas e sorriu ao preencher a primeira palavra - "Sete letras, sinônimo de eternamente" - Forever.



Well, já faz alguns dias em que escrevi esse texto. Nunca mais tinha escrito nada, e então surgiu mais esse devaneio aí. Acho que de tanto ouvir a música Fix You, do Codlplay na versão Glee, fiquei com a música na cabeça. É uma das minhas músicas preferidas. Acho que daí que surgiu a ideia de realmente tentar consertar as coisas. De uma forma ou de outra, sempre temos novas chances, então... é isso. Never fail to fix your life!

 

sábado, 6 de agosto de 2011


Choque de realidade!

 Por Jamile Mercês

  Em algum momento eu sabia que teria que passar por isso, só não imaginava o quão rápido esse momento chegaria. Um turbilhão de sentimentos, de ideias vindo à tona. E eu no meio de tudo isso, uma perdida. 
  Há algumas horas, as ideias foram se tornando mais claras e assim consegui obter uma linha de raciocínio. Tenho metas a alcançar, sonhos a realizar, independência a conquistar. Mas no momento, essas "coisas" não passam de desejos. Alguma parte de mim não está pronta para colocar abertamente a "cara a tapa" e encarar sozinha um turbilhão de obstáculos; não tem 100% de certeza que rumo dar a vida.
  É pedir muito para uma vez na vida ser escutada? Ora, quero apenas tentar me estabilizar primeiro, para posteriormente seguir alguns desejos juvenis. Nunca falei que iria desistir de algumas vontades, e não vou mesmo. Tenho projetos para o futuro, mas para isso se concretizar preciso amadurecer e me estabelecer em uma vida estável, totalmente independente de terceiros (papai e mamãe, rs). Outra que de todos que passam por isso no momento (dar uma sentido à vida em plenos 17 ou 18 anos), sem hipocrisia, para uma das minhas opções aqui na minha terra natal não há perspectivas futuras; e uma coisa que eu detesto é isso: incerteza.
  Sei que algumas pessoas podem até me crucificar por isso, mas ninguém sabe o que se passa na minha vida. Eu faço minhas escolhas, e não estou arrependida, afinal só inverti minhas opções. O que não signigica que com isso estou abandonando ou desistindo da outra, apenas uma inversão, totalmente reversível. Não estou abandonando um de meus sonhos, apenas estou construindo um ambiente mais seguro para este, para quando colocá-lo em prática. 
  Por favor, sem julgamentos. Sei muito bem o que estou fazendo, e não faço com a consciência pesada. Quem me conhece realmente, sabe que penso muito antes de tomar qualquer decisão, principalmente quando se trata de decisões importantes. 
  Bom, é isso. Estou feliz, direcionando minha vida para um ambiente mais seguro, para atuar em novos horizontes. Para posteriormente, fazer o que bem entender da minha vida, unindo o útil ao agradável. Um casamento perfeito. Afinal, sou uma adepta à mudanças! 

Sei que se alguém leu esse texto, não entendeu absolutamente quase nada. 
É apenas um desabafo, uma espécie de carta ou mensagem feita por mim para mim. 
Sei que não faz muito sentido, mas de alguma forma foi importante colocar esse devaneio para fora, porque assim me sinto mais leve e mais consciente do que nunca. 
Well, that's it! xoxo 

domingo, 27 de março de 2011



Era domingo quase fim de tarde, quando ela chegou àquele parque, que geralmente estava repleto de pessoas aos domingos. Mas esse era diferente, havia apenas poucas pessoas, e mesmo assim, essas já estavam recolhendo seus pertences, chamando as crianças para voltarem para suas casas. A medida que avançava pelo parque, a menina fazia o trajeto inverso das pessoas.

Talk to myself again, all alone, on my own
Walk by the scene again, just to see what people see
Caught in your stubborn hold, and I'm so far from home

 Enquanto caminhava, sentia a fina brisa que dessarumava seus cabelos, os pássaros diminuiam o volume dos cantos, as folhas caíam aos montes das altas árvores. A menina só parou de caminhar quando ficou a poucos metros do lago que era considerado o cartão postal do parque. Sentou-se na grama úmida e ficou ali durante um bom tempo, pensando ou talvez apenas esperando. Ela observava os cisnes flutuarem sob a superfície cristalina e tranquila daquele lago durante o fim de tarde. 

So turn the lights on, turn the lights on
Turn the lights on for me
Keep the lights on, keep the lights on
Keep the lights on for me

Don't go to sleep

Para um amador de fotografia, seria uma bela paisagem aquela. Pensou a menina. E ela tinha razão. A tranquilidade e a beleza daquela paisagem diante dela, era fantástica. Impressionante. Mas faltava algo. E ela sabia disso. Talvez soubesse o tempo todo. O que ela vinha fazer naquele parque? Só ela sabia. Ou talvez, nem ela. Fechou os olhos. Sonhou. Ah, que sonho gostoso. Tudo convivia na perfeita harmonia. O vento suave, a umidade da grama, os cisnes passeando pelo lago, as folhas que se arrastavam pelo parque, o baixo canto dos pássaros. Tudo era tão calmo. 

Lost in your thoughts again, consciously you think of me
Focus your perfect words with a pen you write me in
I can't be reached, so far from here, I need you near

A única coisa que estremeceu a calmaria e provocou um barulho até então inexistente foi o bater de uma pedrinha que havia sido jogada no lago. Pensei que a menina abriria os olhos nesse momento. Estava enganada. Ela sabia exatamente do que se tratava. Um sorriso projetou-se no seu rosto. Uma figura agora se sentava ao lado da menininha. E a encarava. Passou-se uns bons cinco minutos e nada da menina abrir os olhos. A figura então mexeu na menina. O vento agora bagunçava seus cabelos mais intensamente. A pessoa sentada ao lado da menina, mexeu no cabelo da mesma. Aproximou-se um pouco mais, e então, deu um beijo na bochecha da menina, que no momento corou. Em seguida, a figura sussurrou alguma coisa no ouvido da garota, que eu deduzir pelo movimento dos lábios que seria: "Abra os olhos, querida. Você não vai querer perder o pôr-do-sol, vai?".

(...)

A menina finalmente abriu os olhos e pode olhar a figura ao seu lado. Era isso. Era o que faltava naquela paisagem. Quem ela esperará, era ele. Finalmente, agora o fotográfo poderia tirar a foto. A cena estava completa. Ou melhor, quase completa. Ela aproximou-se do garoto parado ao seu lado, encostou a cabeça no ombro dele, enquanto por sua vez, ele a envolvia num abraço. Os dois sorriam. Admirando a paisagem a frente deles. Era agora. A cena finalmente se completava. O pôr-do-sol. Aquela imensa estrela agora se projetava sobre a água do lago, os raios iluminando em um tom alaranjado os cisnes e o casalzinho que se abraçava, os únicos remanescentes naquele parque. De fato, era uma linda fotografia.

I wait for you, I stay for you!


OMG! O texto ficou enorme. Não sei mesmo o que me levou a escrever, simplesmente a inspiração veio, as palavras foram se formando e deu nisso aí. Sei que ficou um pouco grande, e que há algumas pessoas que não gostam ou não tem paciência para ler textos assim. Mas acho que ficou um texto meigo. Não sei se vão entender a sequência dos acontecimentos, acho que ficou meio enrolado. Mas enfim, ao escrever eu lembrei da letra da música Sleep, OneRepublic, e adoro a letra dessa música, então resolvi intercalar com o texto. Acho que ficou legal. 
Bom, é isso. Fazia um tempo que eu não escrevia. Então, ta aí. XOXO

 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A praia parecia mesmo estar deserta, podia-se ouvir por entre as árvores o soar dos cantos dos pássaros que por ali voavam e pousavam para exibir seus altos e belos cantos... Sentada na areia ela mantinha os olhos fechados, ouvindo o entoar dos cantos enquanto o mar beijava a praia.
Ela aparentava estar dormindo, seu corpo relaxava, com os braços semicerrados aos joelhos, parecia uma estátua, só não confundia-se com uma porque seus cabelos se agitavam pela brisa suave e leve que a cercava.
Um sorriso mostrou-se naqueles lábios que encaixavam-se perfeitamente com as curvas do seu rosto. O motivo do sorriso eram as lembranças daquela praia, quando a um ano atrás ela estava naquela mesma praia deliciando-se com aquele que foi seu amor de verão... Lembrava-se quando de mãos dadas caminhavam pela aquela areia tão branca e fina, que mais parecia tecidos de seda; quando anoitecia e os dois, ele e ela, sentavam-se a beira do mar, abraçados, deixando que a tão doce e suave brisa os conforta-se.
A voz que entoava em seus ouvidos agora já não era mais o canto dos pássaros, mas sim a voz que cantará para ela tão belas melodias no último verão, a voz tão suave e profunda, que a fazia arrepiar.
Nesse momento, o sorriso deixou-se capengar, sendo substituído ao mesmo ritmo com que uma solitária lágrima percorria aquele rosto até desmanchasse naquele lábio que outrora só tinha espaço para deslumbrantes sorrisos.
Aos poucos, os olhos foram se abrindo, permitindo a visão daquela praia tão cheia de beleza, de vida, daquele mar tão azul que fundia-se com aquele olhar tão azul também, os pássaros continuavam a entoar seus cantos, mas aos poucos o substituíam pelos voos magníficos.
A garota que até então estava intacta, agora se levantava e caminhava ao encontro do mar. Seus pés tocaram aquela água tão fria e clara, e a cada passo se deixavam encobrir cada vez mais. Ela foi para seu último mergulho, lavou sua alma e ao sair lembrou-se novamente daquele amor. Só conseguias-se ouvir agora um suspiro, o último do verão.    
A garota foi então caminhando pela beira do mar, para voltar à sua vida, sua rotina, porque afinal o verão tinha chegado ao fim e seu amor, ah o seu amor durará só o verão. 
Mas talvez no próximo verão ele volte. Com esse pensamento, ela deixou seu verão e com ele, seu amor de verão, com um sorriso.

Jamile Mercês




Estava mesmo sem inspiração, mas ontem a noite quando eu ouvia You and Me, Lifehouse; minha inspiração meio que voltou e deu nisso aí. Eu não sei. A música mexeu comigo e com uma série de lembranças, então, resolvi criar alguma coisa e permitir que as palavras falassem por si. Enfim, só mais um devaneio. haha
Gente, fiz um Tumblr com a Fê (prima), então, se puderem deem uma olhadinha: Teens Sucks. haha

sábado, 30 de outubro de 2010

The Only Exception

Por que tinha que ser você? É a pergunta que insiste em ficar martelando dentro da minha cabeça e ainda mais dentro do meu peito. Tantas tentativas para esquecer, apagar você das minhas lembranças... tudo em vão. Sou forte, você não interfere em nada. Ora, a quem eu estava tentando enganar. Eu só queria de verdade que você estivesse aqui e agora, para poder te dizer tudo o que tá guardado aqui há muito tempo. Sinto muito por nunca ter dito pra você ficar, ficar aqui do meu lado, por não ter lutado por você. Como eu queria poder voltar ao tempo e segurar você pelo braço, não te permitir partir. Se eu soubesse o quanto sentiria sua falta... 
Não sei onde você está, com quem está ou como está, mas se de alguma forma ainda existe algum tipo de ligação entre nós dois, quero que saiba que você foi a exceção da minha vida, o responsável pela pessoa que hoje me tornei, meu melhor sonho e mais cobiçado desejo. O meu tão amado e esnobado final feliz.


Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face

Ouvindo: The Only Exception, Paramore



sábado, 17 de julho de 2010

Era uma noite fria e silenciosa. Lá fora só se ouvia a melodia que o vento entoava, tendo como back vocal as folhas a se arrastarem pela rua. As sombras eram absolutas. Mas, havia uma luz que resistia bem ao final da rua. Uma luz bem fraquinha que se estendia da janela do quarto de uma menininha. Uma mãozinha curiosa puxava a cortina para o lado, com o objetivo de espiar a escuridão e a solidão que predominava lá fora. O que ela estava pensando? Era tarde, já tinha passado da hora de menininhas como ela estarem dormindo. Por que aquela garotinha insistia em continuar acordada? Observando o que afinal? Não sei, e talvez a menininha também não saiba. Aos poucos toda a cortina tinha sido retirada do seu lugar, a menininha agora tinha uma visão mais ampla da rua. Uma chuva fina começou a cair. Suaves pingos de chuva agora escorriam pelo vidro da única janela que refletia uma luz naquela escuridão toda. A garotinha tocava e acompanhava o caminho que as gotículas faziam até se desmancharem ao final da janela. Fiquei a observa-la. A menininha fechou os olhos e ficou imóvel por um tempo. Finalmente ela tinha se entregado ao sono, pensei. Estava errada. Um lindo sorriso brotou do seu rosto junto com um longo e delicioso suspiro. Nesse momento, a rua escura e solitária estava tomada pelo cheiro de terra molhada. Ô cheirinho bom, pensei junto com a menininha. Ela voltou a abrir os olhos e observar. Um olhar curioso e sonolento. Mas havia algo mais. Havia um tom sonhador naquele olhar. Talvez fosse só isso. Um sonho. Será que a menininha achava que ela estava sonhando? Bom, se estava, ainda estava sonhando acordada. Pedindo sabe-se lá o que àquela noite. No vidro, agora um pouco embaçado, a menininha escreveu algumas palavras... Lutei para conseguir lê-las. Tentativa frustrada. Parecia-me que ela escrevia o começo de alguma de suas histórias preferidas ou a sua própria história, talvez o clássico 'Era uma vez'. Ficou mais um bom tempo ali, olhando da janela do seu quarto a rua aqui fora. Pensando, sonhando, ou simplesmente olhando. Seus olhos lutavam para permanecem abertos, mas essa luta não durou muito tempo. Finalmente, a menininha desistiu e se conformou que era hora de ir pra cama. Trouxe as cortinas para seus lugares novamente. Pelas sombras eu vi passo a passo o modo como ela se preparava para dormir. Deitou-se, e bem devagar apagou a única luz que marcava presença naquela escuridão. Por uma pequena fresta da cortina, eu juro que a vi olhar novamente para a rua e sorrir pela última vez naquela noite.

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah e o mundo é perfeito
Hum e o mundo é perfeito

Ouvindo: Sonho de Uma Flauta, O Teatro Mágico ♫


Jamile Mercês

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Eu tava só, sozinho ♫

Madrugada a dentro e eu aqui deitada na minha cama, ouvindo da janela do meu quarto a brisa que lá fora grita, teimando em arrastar as folhas que insistem em cair dar árvores. A insônia continua me perseguindo, levanto-me numa tentativa frustrada de achar um bom livro, definitivamente uma tentativa frustrada. Volto a me deitar, tento não pensar, mas é inevitável. De repente caio em mim 'é, estou só'. Sim, não há sentimento pior do que a solidão. Questiono-me então: 'o que há de errado afinal, sou eu ou os outros?'. Não acho respostas. Vejo então sobre a escrivaninha umas folhas personalizadas para cartas. Como um impulso, pulo da cama e pego as folhas. Enquanto volto para minha aconchegante cama, contorno com a ponta dos dedos os pontilhados tão fofos dos papeis. Deito-me, coloco a caneta no punho e começo a escrever. "O universo inteiro de repente parece conspirar contra mim. Agora levo a ´serio aquele ditado, 'tudo o que está ruim, pode piorar'. É muita pressão sobre uma única pessoa. Droga, também sou humana! Não há coisa pior do que você ser cobrada continuamente para ser uma pessoa que você não é, ou melhor, que não quer ser. E não para por aí. Horrível é ver grandes amizades esfriando sem você saber o porquê daquilo ou ver a grande maioria das suas amigas comprometidas e você solteirona. Horrível ainda é ver aquele infeliz garoto por qual você tem um amor platônico com outra. Terrível também é ver o quanto você se esforça, mas continua quebrando a cara quando o assunto é o colégio. De verdade, não estou na minha melhor fase. Por sinal o que tenho feito mais nesses últimos dias é quebrar a cara. Tudo bem, não vem pra cá dizer que é bobeira minha, pra deixar de pessimismo. É sério, não é pessimismo. Na real, não tenho quase ninguém em que confiar (pelo menos por enquanto), não tenho alguém pra desabafar. Por que comigo? Eu que sempre procuro estar de bem com a vida, aí vem essa bendita e me faz cair assim. Vai entender, talvez seja mesmo paranoia minha apenas ou é mesmo um sinal daquele assim 'toma, aprende com isso e levanta mais feliz e forte do que nunca'." Parei por aí, reli o que tinha acabado de escrever. As palavras ficaram desconexas, confesso que custei a entender o porquê que escrevi isso. Não sei. Devaneios, angústia, loucura, (...). Nesse instante, uma silenciosa e solitária lágrima escorreu pelo meu rosto. Não queria, não merecia aquilo. Guardei o papel de carta numa caixa que havia ali perto. Virei-me, fechei os olhos devagar. Não sonhei aquela noite. Lembro-me apenas que antes de adormecer completamente, sussurrei alguns versos: 'eu tava só, sozinho'/'amanhã é um novo dia!'. Completamente contrários. Talvez seja mesmo pra ser assim. 

segunda-feira, 1 de março de 2010

O adeus que você me negou!

Você se foi e levou consigo o que havia sobrado do meu coração. Nem adeus você disse. Simplesmente, foi. Aonde foi que eu errei? Por que você me deixou assim? Arrasada. Eu sempre fiz tudo pra te fazer feliz, dei o melhor de mim. E mesmo assim, você se foi e nem se quer olhou para trás. É como se eu nunca tivesse significado nada para você. Dói. Meu coração já quase não bate mais. Fez-se frio. Incapaz de amar outra vez. Eu só queria entender o motivo de tudo isso. Em que momento a gente deixou de se amar. Se é que algum dia você me amou. Mas eu confesso, eu te amei a cada segundo. Sempre. Por mais que você esteja longe, eu continuo te amando.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Não sei explicar porque me sinto assim. Tão vazia e ao mesmo tempo tão completa. Talvez tenha algo de errado comigo ou que tenha algo de errado com as pessoas a minha volta. Eu queria tanto mudar isso, queria tanto não me sentir sozinha, isolada. Queria mostrar o verdadeiro eu para todos e não me importar com a reação de ninguém. Mas falta-me coragem. É, sou uma covarde. Covarde por não conseguir exaltar o tom da minha voz quando quero, covarde por não suportar determinadas situações, covarde por me sentir uma pessoa insignificante. Eu sei que sou muito mais do que as pessoas enxergam. Sei que sou capaz de surpreender a todos, sei que posso ser pulso firme. Mas admito que tenho medo de mostrar esse meu eu. Insegurança! Sei lá, eu só queria mudar, deixar de ser tolerante com todo mundo e fazer tudo ao meu modo. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uma carta ao meu querido cupido


Meu querido e amado cupido!
Antes de qualquer coisa, gostaria de comentar que eu creio que você talvez sofra sérios distúrbios mentais, emocionais, sociais, psicológicos, psiquiátricos, alcoólicos, dentre outros. Mas enfim, nada que venha ao caso agora.
Francamente, ou você é louco ou me acha uma burra total. Tu achas que esse cabelo loiro encaracolado e essa sua cara de inocente me engana? Faz-me rir.
Acha que só porque você tem asas e carrega arco e flecha na mão tem o direito de brincar com os meus sentimentos? Poupe-me queridinho.
Chega de ficar atirando flechas pra onde o vento manda, chega de ficar contando com a sorte.
É tão simples meu cupido, poupe seu tempo, faz o que eu te peço. Sabe, aquele garoto bonitinho, loiro, alto, de olhos claros, sarado, simpático, educado, culto, que me entende, (...); que eu havia te pedido, lembra? 
Não tenho a vida toda pra ficar esperando pela tua boa vontade meu caro, então será que custa você acertar uma - só uma - flecha no canto esquerdo do coração desse garoto. É pedir muito? Não, não é. Você ta me devendo um garoto desses há muito tempo meu querido cupido. 
Apesar de tudo o que você me fez passar, eu ainda consigo manter meu senso de romantismo em dia. 
Mas enfim, chega de blá blá blá, vai trabalhar logo Sr. Cupido preguiçoso. Já perdeu muito tempo meu amor, porque caso você não saiba, "loiros, altos, bonitos e sensuais ♫" não caem do céu!