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sábado, 15 de outubro de 2011

Por Jamile Mercês




 Depois de um inverno rigoroso, finalmente havia chegado a hora das flores desabrocharem. Sentada no mesmo lugar de sempre, saboreando como de costume seu café enquanto pensava na próxima palavra que preencheria sua palavra-cruzada, ela observava a tranquila chegada da primavera.

When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

 Durante os meses que antecedera a estação mais florida do ano, ela tinha voltado-se exclusivamente para o trabalho, e nos fins de tarde fazia como agora, sentar no Coffe a umas duas quadras de casa, pedir o café de sempre, às vezes acompanhado de marshmallows ou waffles, e enquanto esperava, tirava a revista de palavras cruzadas da bolsa e metia-se a encaixar as palavras umas nas outras. Mantendo dessa forma a mente sempre ocupada, a fim de que não deixasse vir à tona as lembranças de alguns meses atrás - os melhores meses da sua vida. Até então não compreendera como ela tinha chegado ali sozinha, sentada no Coffe em todos os fins de tarde.

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

 A esse ponto, as palavras cruzadas já estavam quase todas completas, faltava apenas uma. A garota lia e relia as dicas, mas não conseguia adivinhar a palavra. Situação que a deixou nervosa, pois nos últimos meses havia se tornado uma especie de expert quando o assunto era palavras cruzadas. Mas dessa vez, todo seu conhecimento não era válido. "Verbo na língua inglesa; responsável por promover melhoras ou danos, tanto materialmente quanto psicologicamente". 
 "Mas que diabos de palavra" - foi o pensamento da garota. Tinha ficado realmente paranóica em adivinhar a palavra, mas o nervosismo e a ansiedade não estavam ajudando em nada, pelo contrário, apenas atrapalhavam. Já era quase noite, as luzes do parque a frente do Coffe já estavam acesas. Normalmente a essa hora ela já estava em casa. Mas, hoje resolvera voltar para casa só depois de adivinhar a palavra que tanto estava mexendo com ela. 
(...)
 Respirou fundo, tomou mais um gole do café, recostou-se na cadeira enquanto observava o parque à sua frente e sentia o aroma vindo das flores do mesmo parque. Fechou os olhos e deixou a mente falar por si. Inevitavelmente as lembranças que a menina tentou evitar durante esses últimos meses, desabrocharam novamente na sua mente - os passeios pelo parque; os filmes que costumavam assistir; os bons finais de tarde que costumavam passar no Coffe; as risadas; as lágrimas; a última briga em que resultou na quebra de sua bola de cristal com uma miniatura da Torre Eiffel, no momento ela soube que não haveria forma de consertar a sua linda bola de cristal. Foi nesse ponto em que seus pensamentos foram interrompidos. 

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you
 Abriu os olhos e leu novamente as dicas da palavra cruzada. E riu consigo mesma quando notou o quanto a vida é irônica. No meio de seus devaneios havia descoberto a palavra que faltava: consertar. Fix, em inglês. Nesse ponto que notou que havia sempre uma forma de consertar as coisas - da bola de cristal até à vida. Seu relacionamento tinha terminado por uma banalidade. Deu-se conta de que não valia a pena deixar as lembranças para trás, se havia uma possibilidade de consertar tudo, por mais que fosse uma mínima possibilidade.
And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth

 Terminou o café, deixou o valor a ser pago debaixo da xícara. Antes de se levantar, escreveu na palavra-cruzada a última palavra que faltava: Fix. 
 Levantou-se e saiu do Coffe, no entanto não fez o caminho ao qual se acostumara nos últimos meses. Seguiu um novo caminho, àquele que a levaria a uma outra casa - seu verdadeiro lar. Checou o horário, calculou que provavelmente o encontraria chegando em casa a aproximadamente meia hora. Era apenas o que a separava para consertar tudo: meia hora. Com esperança e um pouco de sorte tudo se resolveria. 

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.
 Durante a caminhada, abriu uma outra folha das palavras-cruzadas e sorriu ao preencher a primeira palavra - "Sete letras, sinônimo de eternamente" - Forever.



Well, já faz alguns dias em que escrevi esse texto. Nunca mais tinha escrito nada, e então surgiu mais esse devaneio aí. Acho que de tanto ouvir a música Fix You, do Codlplay na versão Glee, fiquei com a música na cabeça. É uma das minhas músicas preferidas. Acho que daí que surgiu a ideia de realmente tentar consertar as coisas. De uma forma ou de outra, sempre temos novas chances, então... é isso. Never fail to fix your life!

 

domingo, 28 de agosto de 2011


"Se faltar calor, a gente esquenta. 
Se ficar pequeno, a gente aumenta. 
E se não for possível a gente tenta!"

                                                 — Engenheiros do Hawaii 

domingo, 27 de março de 2011



Era domingo quase fim de tarde, quando ela chegou àquele parque, que geralmente estava repleto de pessoas aos domingos. Mas esse era diferente, havia apenas poucas pessoas, e mesmo assim, essas já estavam recolhendo seus pertences, chamando as crianças para voltarem para suas casas. A medida que avançava pelo parque, a menina fazia o trajeto inverso das pessoas.

Talk to myself again, all alone, on my own
Walk by the scene again, just to see what people see
Caught in your stubborn hold, and I'm so far from home

 Enquanto caminhava, sentia a fina brisa que dessarumava seus cabelos, os pássaros diminuiam o volume dos cantos, as folhas caíam aos montes das altas árvores. A menina só parou de caminhar quando ficou a poucos metros do lago que era considerado o cartão postal do parque. Sentou-se na grama úmida e ficou ali durante um bom tempo, pensando ou talvez apenas esperando. Ela observava os cisnes flutuarem sob a superfície cristalina e tranquila daquele lago durante o fim de tarde. 

So turn the lights on, turn the lights on
Turn the lights on for me
Keep the lights on, keep the lights on
Keep the lights on for me

Don't go to sleep

Para um amador de fotografia, seria uma bela paisagem aquela. Pensou a menina. E ela tinha razão. A tranquilidade e a beleza daquela paisagem diante dela, era fantástica. Impressionante. Mas faltava algo. E ela sabia disso. Talvez soubesse o tempo todo. O que ela vinha fazer naquele parque? Só ela sabia. Ou talvez, nem ela. Fechou os olhos. Sonhou. Ah, que sonho gostoso. Tudo convivia na perfeita harmonia. O vento suave, a umidade da grama, os cisnes passeando pelo lago, as folhas que se arrastavam pelo parque, o baixo canto dos pássaros. Tudo era tão calmo. 

Lost in your thoughts again, consciously you think of me
Focus your perfect words with a pen you write me in
I can't be reached, so far from here, I need you near

A única coisa que estremeceu a calmaria e provocou um barulho até então inexistente foi o bater de uma pedrinha que havia sido jogada no lago. Pensei que a menina abriria os olhos nesse momento. Estava enganada. Ela sabia exatamente do que se tratava. Um sorriso projetou-se no seu rosto. Uma figura agora se sentava ao lado da menininha. E a encarava. Passou-se uns bons cinco minutos e nada da menina abrir os olhos. A figura então mexeu na menina. O vento agora bagunçava seus cabelos mais intensamente. A pessoa sentada ao lado da menina, mexeu no cabelo da mesma. Aproximou-se um pouco mais, e então, deu um beijo na bochecha da menina, que no momento corou. Em seguida, a figura sussurrou alguma coisa no ouvido da garota, que eu deduzir pelo movimento dos lábios que seria: "Abra os olhos, querida. Você não vai querer perder o pôr-do-sol, vai?".

(...)

A menina finalmente abriu os olhos e pode olhar a figura ao seu lado. Era isso. Era o que faltava naquela paisagem. Quem ela esperará, era ele. Finalmente, agora o fotográfo poderia tirar a foto. A cena estava completa. Ou melhor, quase completa. Ela aproximou-se do garoto parado ao seu lado, encostou a cabeça no ombro dele, enquanto por sua vez, ele a envolvia num abraço. Os dois sorriam. Admirando a paisagem a frente deles. Era agora. A cena finalmente se completava. O pôr-do-sol. Aquela imensa estrela agora se projetava sobre a água do lago, os raios iluminando em um tom alaranjado os cisnes e o casalzinho que se abraçava, os únicos remanescentes naquele parque. De fato, era uma linda fotografia.

I wait for you, I stay for you!


OMG! O texto ficou enorme. Não sei mesmo o que me levou a escrever, simplesmente a inspiração veio, as palavras foram se formando e deu nisso aí. Sei que ficou um pouco grande, e que há algumas pessoas que não gostam ou não tem paciência para ler textos assim. Mas acho que ficou um texto meigo. Não sei se vão entender a sequência dos acontecimentos, acho que ficou meio enrolado. Mas enfim, ao escrever eu lembrei da letra da música Sleep, OneRepublic, e adoro a letra dessa música, então resolvi intercalar com o texto. Acho que ficou legal. 
Bom, é isso. Fazia um tempo que eu não escrevia. Então, ta aí. XOXO

 

sábado, 19 de fevereiro de 2011



Cause it's you and me and all of the people
With nothing to do, nothing to lose
And it's you and me all of the people and
I don't know why I can't keep my eyes off of you! 


                                                          You and Me, Lifehouse ♫